Palestrantes pedem mudança cultural para acabar com preconceito da Cannabis

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Por Kim Belluco

A palestra sobre o panorama do mercado da Cannabis no Brasil e no mundo abriu o terceiro dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal nesta quinta-feira (05), no Expo Center Norte, em São Paulo. A jornalista política Manuela Borges abriu a cerimônia com um vestido feito com a fibra do cânhamo, uma planta da Cannabis cultivada por suas sementes, fibras e caule. Além dela, estavam presentes: o jornalista Ricardo Amorim, que mantém desde 2019 o blog Cannabiz no site da Veja, Gustavo Marra, diretor de operações (COO) da USA HEMP BRASIL, Dr. Claudio Lottenbergmédico oftalmologista, Tarso Araújo, presidente da Diretoria-Executiva da BRCann, Cíntia Vernalha, executiva com mais de 15 anos de experiência na área comercial de grandes corporações e Viviane Sedola, CEO na Dr. Cannabis.

Em 1h30 de debate, muitos foram os assuntos abordados pela bancada. Eles relataram um pouco de suas respectivas experiências profissionais com a Cannabis e todos concordaram que existe um preconceito ainda muito grande por parte da população brasileira ao usar a Cannabis na medicina. Apontaram ainda um problema na comunicação e deixaram claro que precisa haver uma mudança cultural para que todos possam tirar o melhor do produto.

Viviane Sedola abriu o debate expondo o problema na comunicação. “Demorei para entender que o problema da Cannabis é mais de comunicação do que de ciências. Falta muita informação. Apesar de ter médicos prescritores, muitos pacientes consultam sem saber que a Cannabis é uma alternativa. Do outro lado, o médico fica sem saber como apresentar a Cannabis com medo de sofrer sanções. Tem um receio de todos os lados. Tem aquele ditado: é mais fácil romper uma molécula do que o preconceito.”

Já Cíntia Vernalha mostrou muita preocupação com a postura do mercado perante ao produtos com base Cannabis. “Moro nos Estados Unidos e no país norte-americano 70% da população aprova o uso da Cannabis. Das vendas mundiais, 87% acontecem nos EUA, é o maior mercado do mundo hoje, com mais de 320 mil pessoas trabalhando e R$ 7 bilhões de dólares arrecadados de impostos. A vantagem de não ser pioneiro é que podemos olhar para outros lugares e tentar fazer diferente do que está dando errado e replicar as partes boas. O Brasil é restrito a esse mercado. Como o mercado vai funcionar? Que tipo de lei precisamos adaptar? Como as empresas vão agir com os produtos novos? Precisamos adequar esse mercado para caminhar e crescer.”

Na sequência, o Dr. Claudio Lottenberg deu a sua visão clínica sobre o uso da Cannabis na medicina, mas também levantou a pauta sobre a transformação cultural que a população brasileira precisará passar para aceitar definitivamente o tratamento de doenças. “Estamos em um momento de mudança de cultura e ela é substantiva. As soluções muitas vezes são de natureza simples. A Cannabis é uma questão que está dormente. O profissional da saúde já tem essa responsabilidade de trazer tais valores à sociedade. Os epiléticos representam 1% da população do Brasil, sendo que 1/3 não respondem a mecânicas tradicionais de tratamento, 30% tem dor crônica – a segunda maior causa que leva as pessoas buscarem o pronto socorro é a dor nas costas -, milhares de consultas são por causa da insônia. Ou seja, temos um problema, que pode ser resolvido dentro de uma perspectiva séria”.

Lottenberg ainda pontuou: “Mudar a cultura de uma população é muito difícil, mas temos as melhores condições para desenvolver uma série de estudos clínicos que sejam relevantes para a sociedade. É apaixonante.”

Ainda sobre a mudança cultural, Tarso Araújo destacou que o Brasil sofre uma série de ‘apagões’ quando o assunto é Cannabis. “O Brasil em relação a Cannabis é cheio de apagões. Tem lugares que a Cannabis Medicinal ainda não entrou. A região do Nordeste está bem atrás. O grande limitador ainda é o preconceito. O nível de desinformação ainda é muito grande. A evolução depende de uma questão cultural. A regulamentação muda da noite para o dia, a lei também, mas a cultura depende de tempo e de batalha. É importante que o mercado cresça, mas não a qualquer custo, carece de regulamentação, precisa de produção científica de qualidade e de muita honestidade.”

Gustavo Marra fechou o debate destacando os pontos positivos da planta. “Temos em mãos uma planta muito versátil. Não só para tratamentos, mas para uso têxtil, de combustível, na construção civil, dentre outros. Se a gente não usar a ciência a nosso favor, nunca vamos quebrar os preconceitos em relação ao uso da Cannabis, pois muita coisa está relacionada ao mercado recreativo. Como você pode fechar a porta para um medicamento que você não conhece? Levar para a linha de frente o conhecimento do que é a substância é o mais importante”.

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