Abead diz que cannabis pode trazer “falsas esperanças” e entidades rebatem

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Neurologista Eduardo Faveret esclareceu dúvidas sobre a substância que paciente com Alzheimer faz uso no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Sonia Schneiders/Gshow)

A Associação Brasileira de Estudos de Álcool (Abead) e outras Drogas divulgou uma nota criticando a entrevista do neurologista Eduardo Faveret ao programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. O documento diz que “várias das sugestões de indicações terapêuticas” ditas pelo médico carecem de “evidências científicas” e que Faveret poderia trazer “falsas esperanças” aos pacientes. A Abead também alegou que a entrevista favorece a “construção de informações inadequadas”.

O Encontro recebeu a família de Ivo Barsan, de 58 anos, portador de Alzheimer. Solange Filipe, esposa e filho dele, contaram, no programa, um pouco da experiência como seus cuidadores, antes e depois de ele iniciar o tratamento com canabidiol. Já Faveret tirou dúvidas da plateia e esclareceu como é o uso medicinal das substâncias derivadas da maconha.

“As indicações são epilepsia, dor crônica, câncer, autismo, Alzheimer. Tem uma ação anti-inflamatória muito potente”, afirmou o neurologista.

Contrariada com a entrevista, a Abead sugeriu que a emissora ouvisse outro especialista para contrapor o Dr. Eduardo Faveret e se colocou à disposição para indicar o profissional. Nesta sexta-feira (20), associações de pacientes de cannabis medicinal saíram em defesa do médico e do uso terapêutico da planta.

A Cultive, associação de pacientes de São Paulo, divulgou nota de apoio ao médico: “ele elencou inúmeras enfermidades que vem encontrando algum benefício terapêutico, no entanto sem ensaios clínicos que comprovem a sua eficácia”.

A AbraCannabis sugeriu que a Abead se atualizasse e disparou: “parem de confundir uso abusivo de substâncias com uso controlado, lembrem por favor que o que determina se algo é veneno ou remédio é a dose, não a substância. Alias, Maconha é uma das poucas substâncias que não tem dose letal”.

Já a Associação Brasileira Cannabis Esperança (Abrace), da Paraíba, foi mais contundente e argumentou que a associação demonstrou “desconhecimento e falta de interesse” sobre o tema.

“Uma associação que tem a suposta intenção de estudar sobre drogas, mas sequer entende a diferença entre canabidiol e Cannabis, ou mesmo supõe que não existem evidências científicas sobre o tratamento de diversas patologias mencionadas no programa mesmo havendo diversos estudos acadêmicos que fundamentam a fala do Dr. Eduardo, não deveria sequer ter emitido qualquer opinião sobre o tema.”

A Abrace listou ainda países como Israel, Canadá, Estados Unidos, Uruguai, que “estudam rotineiramente e de forma científica o efeito terapêutico da Cannabis, implementando a mesma como terapia na prática e obtendo resultados por vezes inimagináveis ou antes inalcançados com terapêuticas comuns provando de todas as formas que a Cannabis tem sim efeitos terapêuticos comprovados, e comprovados empiricamente”.

O Dr Wilson Lessa, Diretor científico da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC), argumenta que o Dr. Faveret não fez qualquer promessa de cura:

“Eu assisti tanto a reportagem do Jornal Nacional quanto a da Fátima Bernardes e fiquei com a clara sensação de que ele foi muito prudente no que comentou, e ele falou claramente a questão do uso compassivo, ou seja, quando as medicações usuais não tiveram efeito positivo ou tiveram muito pouco efeito positivo. Então não acho que seja criar falsas esperanças, isso é uma possibilidade”.

A carta da Abead é assinada pela diretoria da Abead: Renata Brasil Araújo (presidente), Alessandra Diehl (1ª vice-presidente ), Sabrina Presman (2ª VP), Fernanda de Paula Ramos (3ª VP), Clarice Oppermann (diretora secretária) e Angelo Campana (diretor tesoureiro). O documento no entanto, foi retirado das redes sociais da associação. A entidade não retornou às ligações do Sechat para esclarecer sobre a retirada da carta nem a repercussão com as entidades.

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